Casa
em Vila!
O projecto artístico com participação
dos jovens e crianças das famílias que viviam em Vila Itororó é
uma tentativa de construir um futuro utópico desta casa através
duma escultura de cerámica. A escultura numa escala grande (até 2
m) será um instrumento para falar sobre as possibilidades, como
manter o processo de transformação constante da vila – é esta
transformação que deu valor para esta casa como um património. E
assim, claramente , o projeto também abre a discussão, se a
transformação constante é possível sem moradores.
No
início devo constatar, que a Vila Itororó, com
uma história específica e com todo o contexto social, cultural e
político representa um desafio grande para qualquer artista e este
desafio e ainda maior, se o artista não vive em São Paulo e não
conheçe todos detalhes, como por exemplo as relações pessoais
entre moradores prévios e instituição, que gere o espaço agora.
Com muitas dificuldades que esta situaçáo tráz, há também uma
avantagem: um artista fora de São Paulo pode trazer um olhar fresco
e tentar soluções arriscadoras.
Á
decisão de tornar Vila Itororó em um património nacional, mas sem
seus moradores, claramente pede de qualquer proponente do projecto de
tomar posição, de pensar nas soluções: Como uma vila, que tem um
valor immenso exactamente por estar constantamente em transição
pode foncionar como património se a sua transição era parada num
momento e conservada no tempo?
Neste
caso, a vila nunca será o que era sem seus
moradores, é como um vestido sem corpo, é o corpo, que defina a
forma do vestido. Os moradores, mesmo á viver fora da Vila Itororó,
são sempre a parte da vila, aliás, do meu ponto de vista, a vila
existe também, onde eles estão.
Desde
início, como havia algum pragmatismo na criação da vila, havia
também uma forma do utopismo, um desejo de construir um paraíso
dentro da cidade, de criar uma ilha (tropical). A minha pergunta é:
o que seria da vila, se a visão dum sonhador foi criada por estes,
que numa sociedade dividida não têm oportunidades de sonhar?
Nos
muitos projectos participativos trabalho com
jovens e crianças. São eles, que têm uma liberdade de imaginar e
sonhar sem limites – económicas, legais, ou físicas. Com eles eu
gostaria de criar um modelo da vila do futuro, um modelo sem
restricções, uma utopia do “estado das crianças”
(os que nunca cresceram). Este modelo sera feito em cerámica numa
escala até 2m. O modelo sera feito em colaboração, as crianças
vão ter oportunidade de escoler a função de cada sala. O processo
de pensamento, da escolha será o mais importante: as ideias serão
gravadas num vídeo com uma explicação e mostra prática feita por
cada criança directamente no modelo. Assim, o vídeo será presente
para todos, que vão escolher o futuro da vila.
O
objectivo do projecto, mais do que construir uma peça artística e
de criar um diálogo sobre o sítio. O que já está feito em relação
com os moradores anteriores, em relação com a sua história e na
escala das actividades participativas, sociais e culturais é
incrível. O meu objectivo é trazer uma visão ainda mais aberta: o
que a casa podia ser se tudo foi possível? Se
cada criaça,
cada jovem participante assumiu um papel de Francisco de Castro e
criou a sua versão de casa de novo? Através
deste diálogo gostaria de falar não só da propria Vila e o lugar
ao volta, mas também do novo lugar dos moradores que simbólicamente
representa uma “nova
Vila
Itororó“.
O
que será o destino do modelo da vila em cerámica? Aqui eu devo
voltar nàs palavras do início: sem conhecer bem o sítio e a
comunidade é muito diffícil de criar um projecto definitivo.
Existem as decisões que podem ser tomadas só depois dum tempo de
experiéncia num sítio, depois dum contacto com as pessoas. O meu
desejo e de instalar este modelo num sítio público dentro ou perto
de novas casas dos moradores e assim de declarar simbólicamente que
a Vila Itororó vive onde eles estão.
No
meu projecto anterior trabalhei com pessoas dos bairros dos
imigrantes em Lisboa numa criação de escultura de escala grande
(uma tartaruga) com casas feitos em cerámica. Da minha experiéncia
sei sobre as possibilidades creativas, até terapéuticas do barro.
Cerámica é uma técnica que permete uma liberdade de expressão,
ajuda numa bõa percepção de arqitéctura em 3D e depois da
cozedura torna se num objecto durável. Mas também, é um processo
que precisa tempo para realização: de criação á secagem e
cozedura e depois a pintura da peça final – um mês seria um tempo
mínimo para a realização e precisa se um trabalho logístico
feito (por assistente) antes e depois da residencia na Vila.